Metamorfose Final
04/06/2012
Liberdade
21/05/2012
A estátua
Ela andava apressada, inquieta.
O que faria dessa vez?
A preocupação lhe rodeava a mente.
Suas dúvidas não a deixavam que respirasse corretamente.
Ela tentava em vão.
Sentou-se em uma escadaria do centro. Tantas pessoas e
somente uma estátua a observava.
Segurou a cabeça e começou a balançá-la, repetindo inúmeras
vezes: “mantenha a sanidade”.
E como mantê-la nesse mundo louco?
Parou, levantou e olhou ao redor. O céu e prédios a
rodeavam depressa, mais depressa, mais depressa... caiu.
Vagarosamente levantou a cabeça e, com os cabelos
despenteados entre os olhos, encarou o olhar frio da estátua.
“preciso manter minha sanidade”
Como? Há tantas pontes e viadutos.
“preciso manter minha sanidade”.
Como? Há tantas avenidas e linhas de trem.
“preciso manter minha sanidade”.
Como? Há tantos objetos cortantes e pontiagudos.
Aí ela gritou encarando a estátua mórbida.
“Eu tenho um fruto!”
Um fruto só seu, que precisa dela, de seus cuidados.
É por esse fruto que conseguirá vencer.
É por esse fruto que irá lutar e não desistir.
Ela se levantou e correu rumo ao norte.
15/05/2012
fls
Caíram. Foram tantas.
Suicídio em massa. Kamikazes.
Pelo tempo, por doenças.
Ficaram pelo caminho.
Estão todas mortas.
Cada uma com sonhos, desejos, anseios, fardos.
Acabou, é o fim.
Ainda não. É apenas o método natural.
Ciclo.
Despertar.
Pensamos no fim como um ponto final.
A renovação permeia.
Novas folhas virão.
Sim, cada uma carrega algo extraordinário que nascerá de
novo.
Já nasceu.
Através de uma forma parecida, não igual, que lembrará muito
de seu criador.
Ela transportará sua linhagem até o fim dos tempos.
Levará seu sangue, perpetuando a sua estória.05/05/2012
SUBTERRÁQUEOS
Vi, ouvi, prestei atenção.
Uma cara feia, um sorriso até a orelha.
Pessoas comuns, situações singulares.
Olhos sensíveis, lágrimas femininas.
Tive vontade de sentar-me ao lado e perguntar: porquê?
Conversa de bêbado, discurso alto, mas sem ousadia, sem
começo ou fim.
Palavras ao ar, jogadas, sem pensar, não há mensagem.
Jovens gritando, cantando, uma nova geração de cabelos e
rostos pintados.
Três gerações em um mesmo ambiente.
Rap grátis por alguns minutos.
Do outro lado, o rock transbordando por fones de ouvido.
Em cada parada algo novo. Troca de energias.
Um balançar na cabeça, um batuque nas pernas.
Troca de beijos apaixonados em um canto qualquer.
Tribos de um mesmo país.
Flerte. Início de algo novo.
Brincos, piercings, tatuagens.
Muitos personagens.
22/04/2012
A VOLTA
Nem sempre é boa.
Voltar de uma viagem, de uma festa... às aulas.
A volta revolta.
Tem gente que não volta, dá volta, corre atrás do próprio
rabo.
Engana-se.
Voltar é normal.
Voltou? É porque foi.
E ir já valeu a pena.
Tudo que vai, volta.
Bumerangue.
A vingança se aproveita disso. Use a ternura.
Tudo que vai, volta. Melhor.
A vingança é doce. A bondade é amarga?
Voltar à estaca zero, começar de novo, se permitir uma nova
oportunidade.
Volte a olhar para dentro de ti, pois voltar não é só chegar, é
recomeçar.
16/04/2012
Deixe
Sim, me deixe na escuridão.
Preciso refletir um pouco. Minhas angústias, o choro, a alegria.
Preciso refletir um pouco. Minhas angústias, o choro, a alegria.
Feche a porta, não deixe a luz entrar. Ela incomoda meus
pensamentos.
A escuridão me abraça de uma maneira que não posso descrever
ou desenhar.
Há um conforto, uma paz.
Não há o que temer na escuridão, pois não há nada.
Basta um feixe de luz para que as sombras ataquem, me
perturbem.
Feche tudo.
No negrume sinta a respiração, ouça os pensamentos,
quaisquer, todos.
Escreva no escuro. A letra deformada, o sair da linha, o
risco, a inovação.
A escrita é o que você é por dentro e não a carcaça que
enxergam.
Lembranças. Deixe que venham as lágrimas, o sorriso.
Deite, olhe para cima. Respire fundo. Expire tranqüilamente.
Agora feche os olhos e verá que imagens surgirão por dentro
de sua pálpebra.
Controle-as como em um sonho, são tuas, você pode.
Acomode-se, durma.
A escuridão parte com a luz de um novo dia que virá.
05/04/2012
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